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3 boas práticas para se tornar um bom consultor de marketing digital

Foto: Adriano Vermolhem
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Foto: Adriano Vermolhem

O papel de um consultor é facilitar. Indicar caminhos, perceber meios, receber a bola quadrada e devolvê-la redonda.

A etimologia da palavra consultoria torna o profissional um aconselhador. “Consulare”, do latim, significa “receber conselho de…”.

No marketing digital, especificamente, um profissional que presta serviços de consultoria se torna essencial para o crescimento de empresas que muitas vezes não acreditavam em estratégias online para seus negócios. Para muitos, um tiro no escuro. Para outros tantos, expectativa de sucesso.

Confira três dicas para boas práticas de todo o consultor:

 

1.Nunca se mostrar satisfeito

Estar satisfeito com o trabalho significa parar no tempo.

O conceito de insatisfação positiva (muito citado pelo filósofo brasileiro Mario Sergio Cortella) nos ajuda nessa compreensão, pois um consultor que se preze não pode fechar a mente para o diferente.

Imaginemos um consultor satisfeito. Completamente alheio a constantes atualizações de algorítimos do Google, por exemplo. O que será que perderia no último ano? (de julho/14 a julho/15)

-Pidgeon Update: aprimoramento para buscas locais para prestadores de serviços em certas regiões

-Panda 4.1: melhora do posicionamento de pequenos e médios site com conteúdo de qualidade

-Fim do Page Rank: a ferramenta deixou de ser atualizada pelo Google

-Penguin 3.0: atualização com punição para os casos de black hat

-Mobile Friendly: identificação dos sites responsivos, com uma experiência para tablets e celulares

(Repito: os dados acima são algumas das alterações feitas somente no Google, e somente nos últimos 12 meses. Imaginem o quanto mudaram tendências, negócios, funcionalidades, novas mídias e afins neste curto período de tempo?)

Cuidado, para que não haja confusão: o consultor não pode se tornar um insatisfeito negativo, ou seja, muito murmura sobre o cliente e não se esforça para mostrar valor em suas ações; procrastina o trabalho e pouco reforma; reclama do redor e pouco transforma.

Aquilo que ainda desconheço se torna o meu melhor. Aquilo que você desconhece é a melhor parte de você também. Desta forma, temos vontade de ter mais ciência sobre as coisas, e expandir nossos horizontes.

Dica:

-Acompanhe sites e blogs sobre marketing digital, especialmente sobre assuntos não tão familiares até então. Imaginem o valor que agregaria em um consultor especialista em conteúdo se começasse a ler um blog referente a programação, por exemplo?

 

2.Humildade em primeiro lugar

Vaidade e humildade. Como fazer prevalecer a segunda palavra, ainda mais, em certos casos, com tanta sabedoria?

Recordo-me de uma parábola de fácil compreensão:

Um sábio disse ao seu aluno que, ao longo de sua vida descobriu ter dentro de si dois cães – um bravo e violento, e o outro manso, muito dócil. E o aluno perguntou: ‘E qual é o mais forte?’. O sábio, prontamente, respondeu: ‘O que eu alimentar’.”

O mesmo se dá conosco na lida do dia a dia. Estamos alimentando suficientemente a humildade que há em nós?

Tomemos, portanto, a humildade como uma escolha.

O filósofo prussiano Kant reforça esta ideia. Segundo ele, a humildade é parte central da vida de todo o ser humano, mesmo que seja utilizada para benefício próprio. Porém, não há virtude que esteja livre de quaisquer tentações.

Como citado anteriormente, um consultor de marketing insatisfeito positivamente adquirirá muito mais conhecimento por consequência. Isto não é nenhum segredo. A diferença é o pedestal que o mesmo se coloca, ou não.

Claro, é perigoso confundirmos humildade com passividade. O cliente não está sempre certo, defenderia o especialista na área de Customer Success (Sucesso do Cliente), Lincoln Murphy.

*Para uma reflexão maior sobre a ideia de vaidade, recomendo o filme do diretor Taylor Rockford, de 1997, “The Devil’s Advocate”; (“Advogado do Diabo”).

Dica:

-A humildade trás inúmeros fatores positivos na vida de um consultor, tais como: serenidade em meio a um possível embate com o cliente; aceitação de que não se pode conhecer tudo; e empatia para entender o lado do cliente. Faça o exercício de praticá-la e entendê-la como uma escolha.

 

3.Paciência é tudo!

Como falar de paciência em um mundo que se transforma cada vez mais? De que forma devemos tirar a paciência “da cartola” com aquele cliente que não tem o conhecimento básico do marketing digital? Como não se estressar com consultorias diárias que tem a capacidade de nos tirar do sério?

A filosofia estóica (300 a.C.) tem como premissa o autoconhecimento. Se você conhece a si mesmo, automaticamente poderá entender a razão oficial (logos). Ou seja, praticar o famoso “zoom out”: enxergar o todo ao invés do específico. Eis que a resposta pode estar abaixo de nosso nariz, basta praticar a paciência.

Lembro-me sempre da história de um amigo psiquiatra que foi tratar um “paciente impaciente”. Tinha uma dificuldade enorme nas relações sociais e na vida em si, exatamente por conta da afobação. E sofria com isso.

Aos poucos, foi exercitando a paciência quando fez o entendimento de que todo o problema continha alguns caminhos. Para enxergá-los, entretanto, era preciso parar para refletir.

Um caso importante no processo de cura deste paciente, foi quando o filho se machucou brincando no colégio, que ligou para o seu trabalho para avisá-lo. De primeira, a afobação veio a mente: xingamentos, gritaria e dirigir até o colégio passando todos os sinais vermelhos, devido a preocupação. Mas parou para pensar: há um outro caminho. Minha esposa trabalha perto do colégio e é mais prudente que eu alerte ela, para que dê a assistência necessária por ora, enquanto eu pego um táxi do trabalho até o colégio, já que não convém dirigir nestas condições.

Parafraseando o naturalista americano Henry David Thoreau, na obra “Walden” (1854): “Aprendi que o viajante mais rápido é o que anda a pé”.

Entendamos, portanto, a paciência como um exercício.

O consultor tem que exercitar a paciência no método de ensino.

Diria o ditado popular: Ensinar é aprender duas vezes. Acredito que a razão dessa máxima seja a reflexão que temos que fazer ao ensinar algo da forma mais clara possível.

Dica:

-A virtude da paciência é muito apreciada. Saber suportar o inesperado (insatisfação, atrasos, falta de entendimento e afins) durante uma consultoria é sinal de sabedoria.

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E você? Qual boa prática você considera que um consultor de marketing digital deveria ter?