“E agora, mané?”

lui holleben
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Texto originalmente publicado no Blog “Centro de Floripa”.

Se eu perguntasse para Zininho: “Qual a melhor parte da vida?”, ele provavelmente responderia cantando seu “Rancho de Amor à Vida”:

“Viver, amar, sorrir, cantar!
Andar pelas ruas da minha cidade
Sem ter que seguir e sem ter que voltar
Curtir, o sol, o céu e o mar
Camisa aberta no peito
E no coração muito amor pra dar!”

E não poderia deixar de concordar.
Viver, respirar e amar o Centro de Florianópolis, se resume às palavras do poeta.

Com o Covid-19 e todos os necessários cuidados e restrições, estamos como diria Djavan: “morrendo de sede em frente ao mar”.

E então, ficamos saudosistas para algo que vivemos há poucos meses: o último Berbigão do Boca, o último Carnaval (juro que nunca mais reclamo de muita gente aglomerada); dos cafezinhos depois do almoço pelas ruas do Centro e da família unida.

Também das tardes de futebol com um chopp gelado ou simplesmente de ver Floripa acordando para mais uma semana de trabalho.

Lembrei de 2003, o ano que a Ilha apagou.
Dias estranhos na minha infância, onde a família só deixava sair de casa de dia pelos perigos da escuridão.
Hoje estamos conhecendo uma escuridão diferente.

Tomando a licença poética de Drummond… pergunto a vocês leitores, e agora, mané?

“E agora, Mané?
o boi de mamão acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a Praça XV esfriou,
o dominó se guardou,
e agora, Mané?
e agora, você?

Está sem a turma,
está sem Mercado Público,
está sem a Lagoa,
está sem o Daza,
está sem futebol,
já não pode o cafezinho tomar,
e agora, Mané?

E agora, Mané?
sua caminhada preferida,
sua tainha frita,
sua cerveja gelada,
seus causos,
seus planos,
sua Ilha – e agora?”

Mas… vamos vivendo e aprendendo a jogar!

Li uma frase da mineira Adélia Prado e aproveito para citá-la para finalizar meu singelo texto: “Aquilo que a memória amou, fica eterno!”.

Vamos lembrando da nossa Ilha, do nosso Centro, entre máscaras e medrosas interações, por enquanto.

E se Deus quiser, em breve, estaremos aproveitando novamente.
Como canta o Dazaranha: “… um oceano, um mirante, um sorriso – que essa Ilha não pode perder”.

* Especialista em startups e morador apaixonado do Centro.