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Sobre a Escrita (Stephen King) – Frases de Livros

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Depois de ler diversos livros de Stephen King quando mais novo, esta espécie de auto-biografia é muito interessante.

O autor conta sua experiência sobre a escrita e nos ajuda a sermos escritores melhores com dicas práticas e histórias de vida.

Recomendo fortemente a quem, assim como eu, é fã de Stephen King!

  • É difícil se lembrar das coisas quando a gente está se divertindo)
  • Uma coisa que percebi é que, quando alguém já fez certo sucesso, as revistas ficam muito menos propensas a usar a frase “não é para nós”.
  • Não tardou para que meu irmão concluísse que o hectógrafo era uma chatice. Muito lento para ele. Mesmo quando era apenas um menino em bermudas, Dave odiava quando algo o detia.
  • Quando você escreve, está contando uma história para si mesmo—disse ele.—Quando reescreve, o mais importante é cortar tudo o que não faz parte da história.
  • Escreva com a porta fechada, reescreva com a porta aberta. Em outras palavras, você começa escrevendo algo só seu, mas depois o texto precisa ir para a rua. Assim que você descobre qual é a história e consegue contá-la direito—tanto quanto você for capaz—, ela passa a pertencer a quem quiser ler.
  • Escrever é um trabalho solitário. Ter alguém que acredita em você faz muita diferença. Eles não precisam fazer discursos motivacionais. Basta acreditar.
  • A mais importante delas é que a percepção original do escritor sobre um personagem ou personagens pode ser tão equivocada quanto a do leitor. A segunda lição, quase tão importante quanto a primeira, foi perceber que parar uma história só porque ela é emocional ou criativamente custosa é uma péssima ideia. Às vezes é preciso perseverar, mesmo quando não se tem vontade, e às vezes você está fazendo um bom trabalho mesmo quando parece estar sentado escavando merda.
  • Nunca gostei de Carrie, a versão feminina de Eric Harris e Dylan Klebold—os adolescentes responsáveis pelo massacre de Columbine—, mas através de Sondra e Dodie consegui, pelo menos, entendê-la um pouco. Tenho pena dela e também de seus colegas, porque muito tempo atrás também fui um deles.
  • “Puta merda, sou um alcoólatra”, pensei, e não houve opinião contrária em minha cabeça—eu era, no fim das contas, o cara que tinha escrito O iluminado sem nem mesmo perceber.
  • Não estou pedindo que você comece com reverência ou sem questionamentos. Não estou pedindo que você seja politicamente correto ou deixe de lado seu senso de humor (Deus queira que você tenha um). Isso não é concurso de popularidade, nem os Jogos Olímpicos da moral, nem a Igreja. Mas é a escrita, cacete, não é lavar o carro ou passar delineador. Se você levá-la a sério, podemos conversar. Se você não puder ou não quiser, é hora de fechar o livro e ir fazer outra coisa.
  • Uma das piores coisas que se pode fazer é tentar enfeitar o vocabulário, procurando por palavras longas porque tem vergonha de usar as curtas de sempre. Fazer isso é como enfeitar seu animal de estimação com roupas sociais.
  • Os senhores Strunk e White não especulam o porquê da atração de tantos escritores de língua inglesa pela voz passiva, mas eu gostaria de dar minha opinião: acho que escritores tímidos gostam dela pela mesma razão por que pessoas tímidas buscam parceiros passivos. A voz passiva é segura. Não existe ação problemática a enfrentar; parafraseando a rainha Vitória, o sujeito só tem que fechar os olhos e pensar na Inglaterra.
  • Você também deve ter percebido que fica muito mais simples entender o pensamento quando é dividido em dois. Assim fica mais fácil para o leitor, e ele deve ser sua maior preocupação sempre.
  • E lembre-se: “o escritor jogou a corda”, não “a corda foi jogada pelo escritor”. Faça-me o favor.
  • Na ficção, o parágrafo é menos estruturado—é a batida, não a melodia. Quanto mais ficção você lê e escreve, mais verá seus parágrafos se formando por conta própria. E é isso que você quer. Ao escrever um texto, é melhor não pensar demais sobre o início e o fim dos parágrafos; o truque é deixar a natureza seguir seu curso. Se depois você não gostar, é só corrigir. É isso que significa reescrever.
  • O objetivo da ficção não é a correção gramatical, mas fazer o leitor se sentir à vontade e, depois, contar uma história… Fazer com que ele esqueça, sempre que possível, que está lendo uma história. O parágrafo de uma única frase lembra mais a fala que a escrita, e isso é bom. Escrever é seduzir. Falar bem é parte da sedução. Se não fosse, por que tantos casais começariam a noite jantando e a terminariam na cama?
  • Se você quer ser escritor, existem duas coisas a fazer, acima de todas as outras: ler muito e escrever muito. Que eu saiba, não há como fugir dessas duas coisas, não há atalho.
  • A leitura é o centro criativo da vida de um escritor. Eu levo um livro comigo aonde quer que vá, e não faltam oportunidades para mergulhar na leitura.
  • O talento faz a própria ideia de ensaio parecer sem sentido; quando alguém encontra algo em que seja talentoso, a pessoa faz aquilo (seja o que for) até os dedos sangrarem ou os olhos quase caírem das órbitas. Mesmo quando não há ninguém ouvindo (ou lendo, ou assistindo), todo esforço é digno de aplausos, porque a pessoa, como criadora, está feliz. Quem sabe até em êxtase. Isso vale para a leitura e a escrita, como vale para tocar um instrumento musical, marcar um gol ou correr o revezamento 4×400.
  • A combinação de corpo saudável e relacionamento estável com uma mulher autossuficiente que não aceita nenhum desaforo da minha parte tornou possível continuar minha vida profissional. E acredito que o oposto também seja verdade: minha escrita e o prazer que extraio dela contribuíram para a estabilidade de minha saúde e da minha vida familiar.
  • Para qualquer escritor, e em particular, para o iniciante, é aconselhável eliminar todas as distrações possíveis.
  • Quando escreve, você quer se afastar do mundo, não é? Claro que quer. Quando você escreve, está criando seus próprios mundos.
  • Gente que decide fazer fortuna escrevendo como John Grisham ou Tom Clancy produz, na maioria das vezes, nada além de pálidas imitações, porque vocabulário não é o mesmo que sentimento, e a trama está a anos-luz da verdade entendida pela mente e pelo coração.
  • Histórias são relíquias, parte de um mundo pré-existente ainda não descoberto. O trabalho do escritor é usar as ferramentas que tem na caixa para desenterrar o máximo de histórias que conseguir, tão intactas quanto possível.
  • A situação vem primeiro. Os personagens—sempre rasos e sem características, no início—vêm depois.
  • Está longe de ser fácil. Como falei antes, todos nós já ouvimos alguém dizer: “Cara, foi tão fantástico (ou horrível/ estranho/ engraçado) que eu nem sei como descrever!”. Se quiser ser um escritor de sucesso, você precisa ser capaz de descrever a cena, e de uma maneira que faça o leitor sentir um comichão de reconhecimento. Se conseguir isso, será recompensado pelos seus esforços, e merecidamente.
  • A descrição pobre deixa o leitor confuso e míope. A descrição exagerada o enterra em detalhes e imagens. O truque é encontrar um bom meio-termo. Também é importante saber o que descrever e o que deixar de lado enquanto você se concentra no trabalho principal, que é contar uma história.
  • A descrição começa na imaginação do escritor, mas deve terminar na do leitor.
  • Acho que as melhores histórias sempre são sobre pessoas, e não sobre acontecimentos, ou seja, são guiadas pelos personagens.
  • Não dá para agradar a todos os leitores o tempo todo; aliás, não dá para agradar nem a alguns leitores o tempo todo, mas é preciso se esforçar para agradar pelo menos alguns dos leitores por algum tempo. Acho que foi William Shakespeare quem disse isso.
  • Tenho muitos interesses, mas apenas alguns são profundos o suficiente para abastecer romances.
  • Alguém—não lembro quem, juro pela minha vida—escreveu certa vez que todos os romances são, na verdade, cartas endereçadas a uma pessoa. Acontece que eu acredito nisso. Acho que todo romancista tem um leitor ideal e que, em vários pontos da composição da história, o escritor está pensando: “O que será que ele vai pensar quando ler esta parte?” Para mim, a primeira leitora é minha mulher, Tabitha.
  • A verdade é que quase todos os escritores são carentes. Especialmente entre a primeira e a segunda versão, quando a porta se abre e a luz do mundo recai sobre o escritório.
  • Como leitor, estou muito mais interessado no que vai acontecer do que naquilo que já aconteceu.
  • As coisas mais importantes a lembrar sobre o pano de fundo são: a) todo mundo tem uma história, e b) a maior parte dela não é muito interessante. Concentre-se nas partes que são e não se deixe levar pelo resto.
  • E, se você consegue escrever porque sente alegria, vai escrever para sempre.
  • Não quero morrer. Amo minha mulher, meus filhos, minhas caminhadas vespertinas à beira do lago. Também amo escrever, tenho um livro sobre a escrita descansando na mesa, inacabado.
  • A escrita não é para fazer dinheiro, ficar famoso, transar ou fazer amigos. No fim das contas, a escrita é para enriquecer a vida daqueles que leem seu trabalho, e também para enriquecer sua vida.