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“Nascido para correr” (Christopher McDougall) – Frases de Livros

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Este livro me chamou a atenção numa época que estive impossibilitado de correr.

Sinceramente não é dos livros mais dinâmicos. Ele se perde muitas vezes tentando construir uma narrativa em romance, quando na verdade poderia ser muito melhor explorado – e talvez mais curto.

Mas a ideia é muito bacana, e baseada em fatos reais: o autor descobriu uma tribo do México que corria de pés descalços e aguentava altas temperaturas por horas a fio, além de escalar montanhas e realizar coisas humanamente impossíveis.

Ainda assim, o melhor livro sobre corrida que já li ainda é: “Do que eu falo quando eu falo de corrida” (Haruki Murakami) – Frases de Livros

Seguem as melhores frases de “Nascido para correr”:

  • Existe algo muito universal nessa sensação, no modo como o ato de correr combina dois de nossos impulsos primais: sentir medo e sentir prazer. Corremos quando estamos assustados, quando estamos em êxtase, quando queremos fugir dos problemas e para curtir momentos de felicidade.
  • “Todas as manhãs na África, uma gazela acorda. Ela sabe que precisa ser mais rápida do que o leão mais veloz ou será morta. Todas as manhãs, um leão também desperta, e ele sabe que precisa correr mais do que a gazela mais lenta para não morrer de fome. Não importa se você é um leão ou uma gazela, o melhor a fazer é correr”.
  • E, se eu realmente quisesse entender os rarámuris, deveria ter visto quando um homem de 95 anos correu quarenta quilômetros pela montanha. Sabe por que ele conseguiu fazer isso? Porque ninguém disse a ele que não conseguiria. Ninguém nunca disse que seu destino era morrer de velho em algum asilo. As pessoas vivem de acordo com suas expectativas.
  • Mas Ann insistia que era uma atividade romântica mesmo e que seus amigos só não concordavam com ela porque não haviam vivido a experiência. Para eles, correr era superar no máximo míseros três quilômetros, motivados apenas pelo desejo de entrar em roupas de um manequim menor: tudo se resumia a começar a correr, achar tudo muito chato, ligar os fones de ouvido e parar de correr. Porém, com esse espírito, ninguém consegue enfrentar uma corrida de cinco horas de duração–era preciso relaxar com a experiência, como dentro de uma banheira de água quente, até que o corpo não resistisse mais ao choque e começasse a aproveitar.
  • Devidamente relaxado, o corpo se sente tão familiar com o ritmo que o corredor quase esquece que está se locomovendo. Ao chegar a esse estágio de suavidade e quase levitação, surgem o gosto do champanhe e a sensação de apreciar a lua cheia. “É preciso estar sintonizado com o corpo, saber quando é hora de apertar o passo ou de diminuir o ritmo”, explica Ann.
  • Não espere nada em troca de sua dedicação à corrida e ganhará mais do que jamais imaginou.
  • Mark Twain uma vez disse que “devemos viver de tal forma que, quando morrermos, até o agente funerário lamente”.
  • Não que Caballo corresse rápido demais–ele apenas parecia tão leve que dava a impressão de se locomover movido pela força do pensamento, e não dos músculos.
  • Como não se esperava que eles fizessem nada, podiam arriscar tudo. Era o chamado da ousadia.
  • Ela precisou lutar para enfrentar um quilômetro, depois outro, e então algo estranho aconteceu: seu desespero deu lugar ao entusiasmo, à sensação de “meu Deus, como é legal percorrer esta lonjura absurda embaixo de um pôr do sol escaldante, sentindo-me livre, despida e veloz, com a brisa da floresta refrescando a pele suada!”. Por volta das dez e meia da noite, Billy e Jenn haviam ultrapassado todos os corredores da trilha, menos um.
  • Os ultracorredores chamados de Young Guns podiam ser comparados aos escritores da geração perdida da década de 1920, aos poetas beats dos anos 1950 e aos criadores do rock da geração de 1960: eram pobres, sem sucesso e livres de qualquer expectativa. Eram artistas do corpo, criando com a paleta da resistência humana.
  • Jenn nunca teve um treinador nem seguiu um programa rígido. Jamais usou um cronômetro. Ela apenas saía da cama todas as manhãs, comia um hambúrguer vegetariano e corria na velocidade e pelo tempo que achasse legal, o que em geral correspondia a 32 quilômetros.
  • “Nunca falei sobre isso com ninguém para não parecer pretensiosa, mas comecei a participar de ultramaratonas para me tornar uma pessoa melhor”, contou Jenn. “Achei que, se conseguisse correr 160 quilômetros, chegaria a um estado zen. Seria como o tal Buda trazendo paz e sorriso para o mundo… Não foi o que aconteceu comigo, porque sou a mesma ‘tranqueira’ que sempre fui, mas sempre fica aquela esperança de vir a ser a pessoa que você quer ser, mais calma e melhor.”
  • Não que ele tivesse um avião, porque mal tinha um carro (ele se deslocava a bordo de um Fusca 1966 em tal estado de decadência que não dava para se afastar muito de casa), mas com Ted era assim, tudo fazia parte de sua estratégia. “Com esse carro, nunca viajo para longe. Sou pobre por opção e acho isso muito libertador”, explica.
  • avisava Ken Bob: O tênis bloqueia a dor, e não o impacto! A dor nos ensina a correr do jeito certo! A partir do momento em que você começar a correr descalço, irá mudar a sua forma de correr.
  • Como eu comia alimentos mais leves e não havia mais me machucado, conseguia correr mais e, por isso, dormia muito bem, sentia-me relaxado e via o meu ritmo cardíaco cair. Até a minha personalidade mudou: a rabugice e o gênio forte, que eu considerava parte do meu DNA ítalo-irlandês, melhoraram tanto que a minha esposa comentou: “Se você ficou assim por causa das corridas, vou ajudá-lo a amarrar os cadarços do tênis”. Eu sabia que exercícios aeróbicos tinham um forte poder antidepressivo, porém não havia percebido como poderiam ajudar a estabilizar o humor e (odeio usar a palavra) propiciar a meditação. Se você não chegar a uma resposta para os seus problemas depois de uma corrida de quatro horas, é porque o seu problema não tem solução.
  • Correr é o superpoder que nos tornou humanos, ou seja, é um superpoder que todos os humanos têm.
  • “Ninguém para de correr porque envelheceu”, sempre dizia Jack Kirk, o “demônio da Dipsea”, “mas envelhece porque parou de correr…”
  • Continuei me lembrando dos conselhos de Eric (“ Se parecer que está custando esforço, você está se exigindo demais”), então decidi me desligar e parar de controlar o meu passo de forma obsessiva.
  • Eu não tentava ultrapassar o antílope, e sim mantê-lo à vista. O que havia me matado durante o percurso de Batopilas era tentar acompanhar o ritmo de Caballo e dos outros. Agora, a minha luta era contra a corrida, e não contra os corredores.
  • Eric acreditava que a pior coisa que se pode dar a um corredor é falsa esperança. O que deixa um competidor tenso é o inesperado, mas, se ele sabe o que o espera, pode relaxar e se concentrar no esforço.
  • Ele havia acabado de quebrar a cara de um homem pela televisão e para quê? Para ter valor para alguém? Para ser um performer que tinha as suas conquistas medidas apenas pelo afeto de outra pessoa? Ele não era estúpido: conseguia ligar os pontos entre o garoto nervoso com um pai durão, ao estilo de O Grande Santini–o dom da fúria, e o solitário em busca de amor que ele havia se tornado. Em resumo: será que ele era um grande lutador ou apenas um sujeito carente?